Chico Nunes
Ateliês

Chico Nunes

Chico Nunes

Rua Sá e Souza

Boa Viagem, Recife

Esta é uma minibio de um homem de 88 anos cujos feitos vão desde a confecção de mais de 1.500 instrumentos, passando pelo trabalho como policial militar do estado de São Paulo por 30 anos e, ainda, pela composição de centenas de músicas e pelo engendramento de muitas histórias boas de se ouvir. Chico Nunes é um luthier especializado em pandeiro, seu minimundo. Nascido em Glória do Goitá, zona da mata pernambucana, foi em 1938 que o rio que dá nome à cidade, o Goitá, lavou e lavrou o destino do menino devotado à arte, à canção e ao desenho. Dos trinta anos como policial militar, vinte e dois foram atuando no Carandiru, maior complexo penitenciário da América Latina, desativado e implodido em 2002. Apesar da dureza do lugar, o samba se manteve vivo e pulsante lá dentro, em rodas organizadas com os detentos. Contudo, há trinta e dois anos, já aposentado como policial militar e de volta a Recife, tem um encontro fortuito com um pandeiro na famosa roda de choro do Quintal do Cosme, em Jaboatão dos Guararapes. Encontro que vai mudar sua vida. Gostou tanto de tocar os pandeiros largados na roda de choro que resolveu fazê-los na medida do amor ali nascido. Como alguém que edifica uma casa bem ao seu gosto pra morar, Chico Nunes resolveu fazer pandeiros para morar neles. Não sabia, contudo, que essa casa ia se encher de gente. Muita gente. Hoje, muitos musicistas moram em sua casa-pandeiro, inquilinos e inquilinas fiéis deste senhor que aprendeu a amaciar madeira, a pele do bode, o latão e parafusos para construir um mundo que não é mais tão particular. Chico Nunes anda o mundo com os pandeiros que resolveu inventar há três décadas. Conviveu com várias personalidades da música popular brasileira como Noite Ilustrada, Jackson do Pandeiro, Zé Keti, Gilson de Souza, Edgar Ferreira, Benito de Paula; e entre seus clientes estão artistas como Isaar, Silvério Pessoa, Walmir Chagas, Maestro Forró, Santana e a lista só cresce para uma produção que não pode passar de cinco pandeiros por mês. Porque ele entendeu que o amor mora nos detalhes e num ritmo compassado. Fazer instrumento deve ser a maior expressão de cuidado. Avisa-nos um sábio senhor de 88 anos, que aos 12 compôs sua primeira música. Seu ateliê fica em Setúbal, zona sul da capital pernambucana e sua vida segue ressoando em mais de 1500 minimundos que ele produziu e estão em quase todos os continentes. Pandeiro bom em Pernambuco é Chico Nunes. Sinônimo, metonímia, instrumento-expressão de sua vida.


Telefone:
81 99969-3666

Chico Nunes - foto principal

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